Aqui no sub, mas não só, muita gente chama o Jones Manoel de reformista ou desenvolvimentista porque ele faz agitação em torno de lutas por melhoras ou reformas para a classe trabalhadora ainda dentro da democracia burguesa. Em "Reforma ou Revolução", Rosa Luxemburgo argumenta que a prática política do Partido Social-Democrada Alemão (SPD) era, até então, a mesma da proposta pelo reformista Bernstein. A diferença principal é que, enquanto para Bernstein a luta por reformas tem caráter de construir as condições objetivas para o socialismo, para os marxistas, ela tem a função de construir as condições subjetivas. Vou colocar um trecho do livro aqui:
No primeiro capítulo, procurámos demonstrar que a teoria de Bernstein retira ao programa socialista toda a base material, transportando-o para uma base idealista. Essa é a fundamentação teórica da sua doutrina – mas como aparece traduzida na prática a teoria? Comecemos por verificar que formalmente não se distinguem em nada da prática de luta social-democrata tal como tem sido realizada até hoje. Lutas sindicais, lutas pelas reformas sociais e pela democratização das instituições, constituem também o conteúdo formal da actividade do partido social-democrata. A diferença não reside no quê mas no como.
No actual estado de coisas, a luta sindical e a luta parlamentar são encaradas como meios de dirigir e educar pouco a pouco o proletariado para a conquista do poder político. Segundo a teoria revisionista, que considera como inútil ou impossível a conquista do poder, a luta sindical e a luta parlamentar devem unicamente ser praticadas para alcançar objectivos imediatos que visem melhorar a situação material dos operários e procurem a redução progressiva da exploração capitalista e a extensão do controlo social. Ponhamos de lado a melhoria imediata da situação dos operários, porque o objectivo é comum às duas concepções, a do partido e a do revisionismo, cuja diferença pode ser definida em poucas palavras: segundo a concepção normal, a luta política e sindical têm uma significação socialista na medida em que preparam o proletariado – que é o factor subjectívo da transformação socialista – para realizar essa transformação. Segundo Bernstein, a luta sindical e política têm por tarefa reduzir progressivamente a exploração capitalista, retirar progressivamente esse carácter capitalista à sociedade capitalista e dar-lhe um carácter socialista. Numa palavra, realizar objectivamente a transformação socialista da sociedade. Quando se examina a coisa de mais perto, percebe-se que essas duas concepções são totalmente opostas. Segundo a concepção corrente do partido, o proletariado adquire, através da experiência da luta sindical e política, a convicção de que é impossível transformar radicalmente a sua situação por meio dessa única luta, e que só o conseguirá definitivamente depois de se apoderar do poder político.
(Grifos meus). Está escrito em PT-PT, mas dá pra entender. Em vídeo recente postado no seu canal (compartilhado no link do post), Jones fala da questão da industrialização do Brasil (portanto, "reforma") no contexto da melhoria do transporte público (e a redução dos gastos associados a ele pela classe trabalhadora) através do desenvolvimento de ônibus elétricos, que estaria ligado a toda uma cadeia nacional de industrialização envolvendo empresas e universidades públicas. Ele destaca a atuação das empresas privadas que são potências econômicas (e, portanto, políticas) locais e lucram com a precarização do setor de transportes e seu alto custo. Ele fala como a luta por essas reformas pode ser usada como agitação contra burguesia, explicando como lógica do acúmulo de capital está por trás da exploração da classe trabalhadora, apontando para a necessidade de uma revolução brasileira. Na minha opinião, isso é criar as condições subjetivas (e não objetivas) para a revolução socialista no Brasil, no sentido do que defende Rosa Luxemburgo. Em nenhum momento ele deixa de falar em revolução e de como a luta por reformas, ainda que dentro do capitalismo, não são um fim em si mesmo. Portanto, gostaria de entender quais são os argumentos que sustentam a tese de que ele é "reformista" ou "desenvolvimentista".
Além disso, nesse vídeo (e em vários outros recentes), ele segue criticando como não só os governos petistas nada fizeram para combater esses potentados locais do setor dos transportes como os fortaleceu ao fazer alianças políticas com as oligarquias que também dominam a política local. Então também tenho dificuldade de entender as afirmações de que ele tenha "mudado o discurso".
Uma crítica que eu tenho a ele é a falta de internacionalismo nessas discussões. Quando Jones fala de internacionalismo proletário, geralmente é no contexto de apoio aos povos oprimidos e colonizados (como Cuba e o povo palestino), mas pouquíssimas vezes no sentido de que o socialismo só pode ser construído internacionalmente. Falta mais contribuições teóricas relevantes nesta questão.
Obviamente, para os comunistas de esquerda, a questão é a tradição marxista-leninista como um todo, da qual o Jones faz parte.
Edit: formatação