Recife, 13 de Agosto de 1972, residência do piloto Carlos, 23h.
Era uma noite fresca de sábado, o Piloto Marcos estava em casa de folga em sua cama com sua esposa quando tem o sonho.
Começa com um chiado de um rádio relógio ao lado da cama. Ele se levanta, olha para o relógio, a hora marcava 2:51, em letras vermelho sangue. Um chiado misturado com um apito fino lhe acorda e que incomodava seus ouvidos. Ele desliga a rádio e vai até uma mesa no quarto onde estava uma mala, uma pasta de couro marrom avermelhado, nesta pasta ele pega um estojo de metal, ele abre conferindo seu conteúdo, uma seringa com uma ampola sem etiqueta dentro. Rapidamente ele fecha e coloca no bolso, também tirando um par de luvas de látex, as vestindo e saindo do quarto se lançando para o corredor banal do hotel. Um barulho de música, murmúrios, uma festa! Ele toma as escadas seguindo o som até chegar no andar onde a festa ocorria. Tomando o cuidado para não ser visto se esconde num breu do saguão do hotel, perto do elevador. Não demora até que uma mulher em trajes formais, quase empresarial, para na frente do elevador. Ela esta com uma pasta cheia de papeis nas mãos, balançando uma das pernas em sinal de inquietação, quando ele sai das sombras, mas antes de surpreendê-la ela o percebe. Seu olhar era de cordialidade, como se o conhecesse, mas então ela dirige o olhar para suas mãos, de luvas, com a seringa na mão. Bruscamente sua expressão cordial muda para medo e incompreensão, ele então a agarra e lhe aplica a injeção. Os olhos dela se reviram para trás num movimento cadavérico e seu corpo desaba. Ele então apanha apressadamente os papeis, arrastando seu corpo para as escadarias a jogando escada abaixo, que escorrega sem vida de cara para o chão...
Carlos acorda com o mesmo rádio relógio, mas agora na mesa de cabeceira de seu quarto em sua casa. Estava completamente enxarcado de suor, com o coração a mil, ainda sentindo a adrenalina percorrer seu corpo, e ainda com o zunido insistente nos ouvidos...