Eu sempre achei as rádios no Brasil muito abaixo do que poderiam ser. E já conversei pessoalmente com mais de um especialista na área, que me confirmaram o que eu imaginava., Inclusive já ouvi exatamente essa frase do título vindo de um profissional que trabalha a muitos anos na área.
Aqui estão alguns exemplos que erros que eu vejo eles cometendo:
Exemplo 1: Radios Adulto Comtemporaneo (antena 1, jb fm, alpha fm, etc).
Nada do que eles tocam hoje dia é adulto, muito menos contemporâneo. É só algo que já era cafona na época que foi lançado e hoje em dia só existe nessas rádios. O tipo de musica que essas rádios tocam é o tipo de musica que dificilmente alguém acorda, vai no spotify, digita o nome da música e escuta. É o tipo de coisa que só serve como um plano de fundo genérico.
Porque as rádios adulto contemporâneo não estão tocando Jungle, Lianne La Havas, Tom Misch, Benny Signs, laufey, a fase baladas do arctic monkeys, etc?
E eu não estou maluco, lembra da epoca em que elas ainda se esforçavam pra tocar artistas contemporâneos e surpreendentes? No inicio dos anos 2000 eles tocavam muito Norah Jones, Jamie Cullum, Corinne Bailey Rae, Joss Stone...
Exemplo 2: Radios Pop
Parece que não existe mais um meio termo entre o pop e não-pop. As rádios pop hoje em dia são quase 100% focadas naquele pop insuportável e sintético estilo david guetta, katy perry, lady gaga, anitta, kpop, beyonce, etc, que é o tipo de música que não é musica, e sim, jingles sem marca.
E não existe espaço para algo que talvez seja pop mas tenha uma autencidade orgânica, como jungle, clairo, dominic fike, willow, daniel caesar, rex orange county, etc.
Acho que a única pessoa que conseguiu esse espaço foi a Billie Eilish, e talvez o Harry Styles (que hoje só consegue destaque fazendo musica do jeito certo pois lá atrás ele ganhou moral por ter feito durante muitos anos aquele tipo de música que não deve ser feito).
Exemplo 3: Rádios Rock
Porque não existem mais rádios rock? Literalmente quase todas as capitais do Brasil não tem mais nenhuma rádio de rock. As que existem continuam tocando apenas Guns n Roses, Red Hot Chilli Peppers, Linkinpark, Sublime, Slipknot...
Por que elas não estão tocando The Warning, Tame Impala, The Neighbourhood, The 1975, Hozier, etc? O rock parou de existir no ano 2010? Aliás, todos esses artistas de rock dos anos 90 e 2000 ainda lançam músicas novas, porque as canções recentes dos projetos solo dos irmãos Galleger não tocam nas rádios rock? Só vai tocar Wonderwall mesmo?
Conclusão:
Talvez você me diga que tá tudo bem, pois por conta da internet, a gente não precisa mais rádios se dedicando a tocar músicas boas, já que a gente tem acesso a essas músicas no streaming. Mas não é bem assim. A figura da "ágora" é fundamental. Um conjunto de lugares que massas de pessoas conectadas ao mesmo tempo, possam ouvir as mesmas coisas ao mesmo tempo, e descobrirem juntas aquilo que existe de mais sofisticado, influente e interessante dentro de cada estilo musical, por meio de um esforço de curadoria, jornalismo cultural, entrevistas, debates, análise, etc.
Eu não quero ouvir a musica que eu escolhi sozinho no meu spotify. Eu quero ouvir algo que várias pessoas ao mesmo tempo estão ouvindo. E quero que esse algo seja a referencia daquilo que ele se propõe a ser.
No mundo normal, o certo seria que, se você quiser saber o que existe de mais vanguardista, influente, fresco e inovador dentro da música atual, você ligaria o rádio para saber. Pois as rádios teoricamente teriam essa função, de fazer essa análise.
E não vale só pra musica.
Por exemplo, hoje a gente aprende sobre ciência, história, tecnologia por meio de um monte de canis pulverizados do youtube e tiktok, e tudo bem eles existirem, mas o certo mesmo seria que canais lineares de televisão como Discovery e National Geographic continuasse sendo grandes, fortes, com musica audiência, e produzindo os melhores documentários possíveis, com a maior seriedade possível, e não essas bobagens de extraterrestes, tubarão e trato feito. O mesmo dá pra a gente falar sobre conteúdos como esporte, jornalismo, economia, política, humor, variedades, comportamento, etc. Todo grande tópico precisa de uma ágora. Um local de referencia de massa, com curadoria, que seja o guia mais sério para aquilo que ele se propõe a ser.