Essa é uma entrevista que Martin deu durante a turnê de lançamento de A Tormenta de Espadas. Na seção de SSMs (So Spake Martin) do portal Westeros, não há uma data precisa de quando ela aconteceu.
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Linda Richards: *A Tormenta de Espadas* teve um desempenho excelente. Parece ter ido melhor do que algumas de suas obras anteriores.
George R.R. Martin: Bem, a série certamente teve, sim. O desempenho é melhor do que qualquer coisa que já fiz antes, o que é realmente gratificante.
Uma das coisas que acho animadoras no sucesso de *A Tormenta de Espadas* é que se trata de um livro enorme e as pessoas estão lendo. Isso é maravilhoso. Quantas palavras são? 120 mil? Mais?
Bem, são 1.500 páginas de manuscrito. Acho que eu teria ficado assustado demais se tentasse calcular o número de palavras. Era incrivelmente longo. [Risos]
Foi um processo longo?
Sim, foi. Atrasou vários meses para ser entregue e houve muita pressão no final para terminá-lo. Mas, finalmente, cheguei a um ponto em que fiquei satisfeito com o resultado. Só que, claro, depois já é hora de passar para o próximo, então... os leitores leem os livros muito mais rápido do que eu consigo escrevê-los. O que é desanimador. Trabalho dois anos em um livro, ele é lançado e, dois dias depois, recebo o primeiro e-mail: "Quando sai o próximo?" [Risos]
E você está em turnê de divulgação do livro agora?
Sim.
Então não sobra muito tempo para escrever durante a turnê?
Absolutamente nenhum. Preciso do meu próprio espaço. Preciso do meu escritório e do meu ambiente habitual. Já tentei. De vez em quando levo um notebook ou, antigamente, um bloco de notas ou algo do tipo. Mas não consigo escrever de verdade, a não ser no meu próprio ambiente, com meu escritório ao redor, onde posso realmente me perder no mundo que estou criando, em vez de ficar preso ao mundo ao meu redor.
Onde fica o seu escritório?
Em Santa Fe, no Novo México. Moro lá há 20 anos. Originalmente, sou de Nova Jersey.
De longe, Santa Fe parece um lugar tranquilo para criar livros. É mesmo?
É um lugar lindo e oferece muitas das comodidades de uma cidade grande, mas tem apenas 70 mil habitantes; por isso, é um lugar maravilhoso para se viver. E o clima é ótimo. Temos as quatro estações — o que eu gosto —, mas sem extremos, o que também me agrada. E sou viciado na comida de lá; a comida mexicana é a melhor do mundo. O green chilli conquista a gente.
Este é o primeiro livro seu que tenho a oportunidade de ler. Ele parece estar muito ligado à história, mas você o classificaria como um romance de fantasia?
É definitivamente um romance de fantasia. Tem dragões e coisas do tipo. De fato, tem uma atmosfera de ficção histórica. Eu adoro história. Queria transmitir uma forte sensação histórica em *A Tormenta de Espadas* e nos outros livros, além de captar um pouco daquela atmosfera da ficção histórica. É maravilhoso ler ficção histórica, mas o único problema que tenho com o gênero é que conheço história demais. Então, sempre sei o que vai acontecer. Você lê um romance sobre a Guerra das Rosas e, não importa se é bom ou ruim, já sabe quem vai vencer. Com meu tipo de obra, você consegue surpreender as pessoas. A leitura lembra a ficção histórica, a sensação é de ficção histórica, mas você não sabe qual será o desfecho.
A maior parte da fantasia épica — ou *alta fantasia* — tem um cenário pseudo-medieval. Isso vem desde Tolkien e *O Senhor dos Anéis*. Portanto, nesse sentido, a obra se insere plenamente na tradição de muitos escritores que vieram antes. O que tento fazer é conferir um pouco mais da atmosfera da ficção histórica do que alguns desses livros anteriores, que tinham, suponho, um tom mais fantástico ou voltado para a fantasia. Minha abordagem do gênero envolve um pouco menos de magia e feitiçaria explícitas, com maior ênfase no combate com espadas, nas batalhas, nas intrigas políticas e nos personagens. Acima de tudo: nos personagens.
A intriga política é, sem dúvida, um componente importante da sua obra.
Sim. Com certeza. É divertido. [Risos] Embora eu comece a achar que minha imaginação empalidece diante do que está acontecendo nos Estados Unidos agora. [Risos] Meus personagens são mais diretos. Eles sacam a espada e matam seus oponentes. [Risos]
O que o levou a escrever esses livros fisicamente tão volumosos, que também ganharam uma dimensão tão grande entre os fãs?
Bem, os fãs de fantasia gostam de livros grandes. *O Senhor dos Anéis* foi, na verdade, o pioneiro. *O Senhor dos Anéis* surgiu numa época em que a maioria das editoras — especialmente de ficção científica e fantasia — queria obras com cerca de 60 mil palavras. Elas não queriam livros grandes. É exatamente por isso que a obra foi dividida em três partes: porque *O Senhor dos Anéis* é, na verdade, um único livro — Tolkien o havia concebido como um volume só —, mas acabou sendo dividido em uma trilogia para atender aos padrões da época. De certa forma, ele definiu o padrão para todos os escritores que viriam depois. Acho que havia vários aspectos importantes nessa obra. Em primeiro lugar, ela apresentava um elenco de personagens muito vasto. Em segundo lugar, criou um "mundo secundário" — termo usado pelo próprio Tolkien —, e isso, creio eu, é essencial para a fantasia épica como a conhecemos hoje: o mundo acaba se tornando um personagem. As pessoas falam em ir para a Terra Média, em vez de apenas ler *O Senhor dos Anéis*. Percebe-se o desejo delas de mergulhar em um mundo criado; por isso, é preciso construí-lo com sua história, seu contexto e seus detalhes. É necessário transmitir a sensação de que se trata de um lugar rico, variado, complexo e vivo. Como o mundo real. Isso exige uma certa extensão de texto. Não se trata apenas de desenvolver uma trama; o objetivo é pintar um quadro completo.
Há também muita história de fundo.
Muita história de fundo. Sim.
Há muita história pregressa nos seus livros que nós nunca chegamos a ver de fato?
Há mais história pregressa do que eu revelo. Claro, revelo um pouco mais em cada volume. Na minha série, em particular, grande parte da chave para o futuro reside no passado e nas revelações sucessivas sobre o que aconteceu 16 anos atrás — e sobre como aquilo que pensamos ser verdade talvez não o seja necessariamente. Nesse processo de revelação, às vezes levo a história adiante, mas também a levo para trás a cada livro sucessivo, à medida que você descobre um pouco mais do que aconteceu. Mas há mais história pregressa do que eu jamais revelarei. Tenho anotações e detalhes sobre muitos dos reis que foram apenas mencionados de passagem; e, novamente, Tolkien — que era o mestre desse formato — mostrou como fazer isso. Ele publicou todos os seus apêndices — não acho que eu vá publicar minhas anotações e apêndices —, mas, se você olhar o final de *O Senhor dos Anéis*, verá páginas e páginas de apêndices, e o nível de detalhe com que ele criou aquele mundo era incrível.
Acho que, em um livro como este, é preciso tratar a história pregressa como um iceberg: a maior parte deve ficar abaixo da superfície. Apenas o suficiente para mostrar que existe algo enorme ali.
O primeiro livro da série foi *A Guerra dos Tronos*?
Isso mesmo. Foi lançado em 1996. Comecei a escrever a série em 1991. Não escrevi de forma contínua, pois ainda trabalhava com televisão e cinema durante boa parte do tempo.
Quantos livros você planeja para esta série?
No final, serão seis. Por enquanto, há três: *A Guerra dos Tronos*, *A Fúria dos Reis* e *A Tormenta de Espadas*.
O que significam as iniciais R.R. no seu nome?
Raymond Richard.
As pessoas provavelmente sempre lhe perguntam isso.
É. Mas, geralmente, dou uma resposta engraçadinha e digo: "Meu nome do meio". [Risos]
Que tipo de trabalho você fazia na televisão?
Bem, fiz parte da equipe de roteiristas do revival de *Além da Imaginação* (*The Twilight Zone*) que a CBS produziu em meados dos anos 80. E depois trabalhei em *A Bela e a Fera* por três anos. Depois disso, dediquei-me principalmente a acordos de desenvolvimento. Eu criava meus próprios pilotos para novas séries. Escrevia roteiros para longas-metragens — alguns adaptando obras minhas, outros originais e alguns baseados em trabalhos de terceiros. No entanto, nada disso chegou a ser produzido. Foi uma das coisas que, no fim das contas, me frustrou e me fez voltar aos livros. Os livros eram, na verdade, minha primeira paixão. De certa forma, eu sentia falta de escrevê-los. Há uma liberdade neles que não se encontra em Hollywood. Você tem uma tela em branco para pintar, sem precisar se preocupar com concessões ou com brigas com diretores, emissoras ou estúdios. Mas o ponto decisivo foi que, embora eu ganhasse muito dinheiro em Hollywood escrevendo roteiros e desenvolvendo pilotos, os projetos não saíam do papel, o que acabava sendo insatisfatório. Nenhum dinheiro substitui o desejo de ver seu trabalho lido. Você quer um público, e quatro executivos numa sala de reuniões da ABC ou da Columbia não bastam.
A série já estava sendo gestada naquela época?
Sim. Bem, certamente depois de 1991, quando comecei. Sempre que eu a deixava de lado, ela continuava a me provocar. Eu me pegava pensando nela até mesmo no trajeto de ida e volta do estúdio ou antes de dormir. Às vezes, nas férias. Então, os personagens continuavam comigo. Essa foi uma das formas de eu realmente saber que aquela era uma série que eu precisava escrever: era uma história que eu precisava contar.
Então você a imaginou como uma série desde o início?
Ah, sim. Inicialmente, pensei que fosse uma trilogia, mas isso foi antes mesmo de começar a escrever.
Você já está trabalhando no quarto livro?
Estou.
Já tem nome?
*A Dance With Dragons* (A Dança dos Dragões). O quinto será *The Winds of Winter* (Os Ventos do Inverno). E o sexto ainda vai receber um nome. [Risos] Ainda não tenho esse título.
É um gênero muito competitivo. Há muita gente escrevendo sagas de fantasia histórica. E seus livros realmente se destacaram em meio a tudo isso. Você tem essa percepção também?
Tenho. Percebi a diferença de um livro para o outro. O sucesso foi crescendo gradualmente. Estou reunindo multidões nesta turnê, nas sessões de autógrafos. Enquanto isso, com o primeiro livro, eu ficava feliz se aparecessem meia dúzia de pessoas [em uma leitura]. Agora, recebo 100, 200 pessoas.
Isso ajuda a vender os livros anteriores também.
Os livros anteriores estão vendendo muito bem. E as obras antigas, da época anterior ao meu trabalho com televisão, também estão sendo relançadas. Quatro dos meus romances mais antigos estão sendo reeditados.
Quantos livros você já escreveu?
Depende. Antes desta série, escrevi quatro romances e, provavelmente, cerca de meia dúzia de coletâneas de contos. Também atuei como editor de livros. A série *Wild Cards* teve 15 volumes, além de alguns outros projetos em que fui editor, e não escritor. Então, suponho que eu tenha uns 30 ou 40 livros na minha bibliografia atualmente.
Parece mais gratificante do que o trabalho na televisão?
No fim das contas, sim. Quer dizer, cada um oferece satisfações diferentes. Quando a televisão e o cinema funcionam bem — quando você tem uma boa equipe e todos estão em sintonia —, é muito empolgante trabalhar com bons atores e um bom diretor, construindo algo e vendo isso ganhar vida diante dos seus olhos. Assistir às filmagens do dia (*dailies*). São emoções únicas. Mas essa mesma situação pode facilmente desandar, sabe? Quando o roteirista e o diretor não se entendem. Quando o ator insiste em mudar todas as suas falas. Quando a emissora faz observações que destroem parte do que você estava tentando criar... aí a experiência não é tão empolgante assim.
Com um livro, eu sou o roteirista, o diretor, todos os atores, o responsável pelos efeitos especiais e o técnico de iluminação: sou tudo isso. Então, se ficar bom ou ruim, a responsabilidade é toda minha.
Você traz algo disso com você? Alguns desses conceitos de produção cinematográfica?
Até certo ponto, sim. Quer dizer, sou um escritor muito visual. E, quando descrevo uma cena, eu a vejo na minha cabeça mais ou menos como um diretor veria um plano de filmagem. Visualizo a incidência da luz e o posicionamento dos personagens — o que em Hollywood chamam de *blocking* (marcação de cena) — e acho que trabalhar em Hollywood aprimorou meus diálogos. É algo a que se dedica muito tempo em Hollywood: lapidar os diálogos.
Hollywood demonstrou interesse na série?
Houve algum interesse no livro, sim. Não sei se isso vai dar em alguma coisa.
Você consegue resumir a saga para alguém que não conhece a sua série?
Bom, claro: de quantas horas eu disponho? [Risos] A história se passa em um mundo imaginário chamado Sete Reinos de Westeros; é um mundo de estilo medieval, mas que contém magia. Houve dragões no passado, embora, quando a história começa, o último dragão já tivesse morrido há 150 anos. Provavelmente, o que mais diferencia Westeros — os Sete Reinos — do mundo que conhecemos é o fato de as estações do ano serem irregulares. Em vez de o ano ter quatro estações que chegam em datas mais ou menos previsíveis, as estações são totalmente aleatórias e duram anos. Quando a história de *A Guerra dos Tronos* — o primeiro livro — começa, as pessoas acreditam que o verão está chegando ao fim; mas foi um verão muito longo. Dez anos de verão. Agora, porém, os dias estão ficando mais curtos, o clima está esfriando e eles acham que o verão está terminando. Naturalmente, quando as estações duram tanto tempo, isso tem consequências enormes, pois os invernos são extremamente rigorosos. Eles duram muito e podem causar devastações. Ninguém quer um inverno longo.
É nesse cenário que ocorre uma disputa dinástica pelo controle do reino: os Sete Reinos — que, na verdade, constituem um único reino, embora antigamente fossem sete. Agora, tudo é governado por um só rei. Várias das grandes casas disputam o controle desse trono.
No extremo norte, há também uma grande muralha de gelo, construída há 8.000 anos e que atravessa todo o continente. Ela é guarnecida por uma organização de irmãos juramentados chamada Patrulha da Noite; eles não têm família e juram dedicar seu serviço de cavaleiro a essa gigantesca muralha de gelo — com cerca de 200 metros de altura — para proteger o reino contra o que quer que espreite no norte. E o que quer que espreite no norte... bem, estamos prestes a descobrir.
Ah: *Os Ventos do Inverno*.
É.
De onde veio a construção desse mundo para você? Consegue identificar a origem?
Parte dela vem das minhas pesquisas históricas. Não faço transposições diretas, de um para um. Alguns leitores tentaram fazer isso: "Este personagem é Ricardo III e aquele personagem é..."
Você não detesta isso? Como se a sua própria criatividade não bastasse.
Detesto. Mas busco inspiração em coisas que leio sobre história; ainda assim, grande parte vem simplesmente da imaginação.
Mas falando da construção do mundo... Frank Herbert [autor de *Duna*], por exemplo, inspirou-se em agitação política, ecologia e coisas do tipo. Fiquei curioso sobre as estações. Isso se baseou em algo que lhe interessava ou pareceu apenas uma ideia legal?
Acho que gostei do simbolismo daquilo. O inverno e o verão, e o que eles representam. Todos nós temos invernos em nossas vidas, e isso não significa apenas as estações frias. O verão é uma época de crescimento, fartura e alegria. E o inverno é um período sombrio, em que é preciso lutar pela sobrevivência.
Quanto à história, qual é a quantidade de detalhes históricos que você pode usar sem que a obra soe excessivamente parecida com o nosso próprio mundo?
Acho que é preciso incluir uma boa dose.
Porque você quer que os leitores se identifiquem com suas criações?
É. E você quer criar uma sensação de verossimilhança. Na verdade, acho que a maioria dos romancistas de fantasia inclui poucos detalhes. Quer dizer... deixe-me ressalvar que existem muitas obras de fantasia brilhantes por aí. Muita gente fazendo um bom trabalho. Tad Williams fez uma trilogia fantástica. Robin Hobb está fazendo um trabalho maravilhoso atualmente. Claro, os livros de Robert Jordan têm milhões de fãs. E há escritores mais antigos, como Tolkien em sua época e outros. Mas, deixando isso de lado, há também muitos escritores que não são lá essas coisas e, embora seus livros tendam a ter um cenário medieval, quando você olha, parece a Disneylândia. Eles têm castelos, reis e cavaleiros.
E donzelas. Não se esqueça das donzelas!
Donzelas, sim. Mas não há aqueles cachorros nos salões dos castelos brigando embaixo da mesa. Não há a doença e a fome. Todas essas coisas também existiam. Acho que é preciso ter os dois lados. É aí que entra a pesquisa. Você precisa saber como era um torneio de verdade, como as guerras medievais eram travadas e ter alguma noção das batalhas e das armas envolvidas. Então, tentei trazer esse senso de verossimilhança crua para os meus livros, e os fãs parecem gostar; acho que estou fazendo algo certo.
Você tem uma rotina de escrita?
Eu acordo todos os dias e trabalho pela manhã. Tomo meu café e começo a trabalhar. Nos dias bons, olho para cima e já está escuro lá fora; o dia inteiro passou e eu nem vi o tempo voar. Mas também há dias ruins. Dias em que luto, suo, e meia hora se arrasta enquanto escrevo apenas três palavras. Meio dia se arrasta e escrevo uma frase e meia; aí eu paro por aquele dia e vou jogar videogame. Sabe, às vezes você devora o urso, e às vezes o urso devora você. [Risos]
O enredo dos seus livros é planejado minuciosamente? Você tem uma sala com mapas ou algo assim?
Eu mantenho mapas, mas não... não faço nada disso. Tenho uma ideia geral de para onde estou indo, mas deixo que os personagens se apresentem a mim; as reviravoltas ao longo do caminho surgem durante a escrita.
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Link do SSM: Entrevista à January Magazine (01/12/2000)