Amanhã faz 15 dias desde o desaparecimento do meu Stormi e queria contar-vos um pouco sobre ele.
Eu sempre tive gatos de rua. Principalmente porque os meus pais não aceitavam animais dentro de casa. Continuava a cuidar deles e a passar tempo com eles, mas, sendo gatos que nasceram e cresceram no exterior, nunca tive propriamente a mesma ligação que vim a ter com o Stormi.
Um dia, os meus pais disseram-me que havia um gato bebé malhado sozinho nas traseiras da minha casa. Era até algo pouco habitual, porque por aqui predominam muito mais os gatos pretos ou cinzentos.Quando me aproximei dele, não esperava que fosse tão meigo e que confiasse tanto numa completa estranha. Passei horas a olhar por ele, a dar-lhe calor nos meus braços e, ao mesmo tempo, preocupada porque não sabia se iria conseguir sobreviver, se precisaria de cuidados médicos ou se teria algum problema. Eu ainda não tinha carro e estava sozinha, por isso fiz tudo o que estava ao meu alcance por aquele pequenito. Ele recuperou-se. E, apesar de desde cedo mostrar ser extremamente dócil e querer ficar dentro de casa, os meus pais não toleravam animais lá dentro.
Por isso, continuava no quintal. Como já tinha outros gatos adultos que passavam tempo lá fora, o Stormi cresceu com eles, tornaram-se uma espécie de irmãos, mesmo não sendo da mesma ninhada nem da mesma mãe. Comiam juntos, brincavam juntos e dormiam juntos. Às vezes o Stormi dava-lhes umas birras, mas sempre achei que fazia parte.
Por estarem no meu quintal, conseguimos contactar uma associação para o programa CED, e o Stormi foi um dos primeiros a ser esterilizado. Também o fiz porque não queria correr o risco de o perder.
Desde que apareceu, parecia que eu era uma das poucas pessoas em quem ele realmente confiava e junto de quem se sentia seguro.
E ele ajudou-me a ultrapassar momentos muito complicados.
O Stormi seguia-me para todo o lado. Saltava para o meu colo. Deixava-me pegar nele e, muitas vezes, afagava a minha cara ou a minha mão com a patinha. Entrava sorrateiramente dentro de casa e eu era obrigada a voltar a pô-lo na rua.
Eu via que ele era diferente dos outros gatos. Para mim, ele nunca foi “só um gato”.
Era o meu companheiro. Era a minha âncora.
E agora desapareceu.
Amanhã fazem 15 dias desde que o vi pela última vez e estou a passar muito mal.
Há pouco, por mais uma vez a ir fazer a minha procura por ele, um vizinho disse-me que, se ele não apareceu até agora, provavelmente já nunca vai aparecer.
Nos primeiros dias ouvi também comentários como “estás assim só por causa de um gato”.
Ouço coisas como “ele foi à vida dele”, “foi passear”, “se calhar meteu-se no motor de um carro”...
Eu sei que talvez as pessoas não tenham intenção de me magoar, mas não sabem o que o Stormi representa para mim.
Eu não sei o que aconteceu com ele.
Não sei se está escondido, se alguém mo roubou, se de facto entrou em algum motor de um carro e seguiu caminho, Nao estou a obter informação ou pista nenhuma.
Só sei que quero o meu menino de volta. Faz-me imensa falta... Às vezes sinto-me zangada, porque ainda nem tinha 1 ano e já era tanto para mim, fico zangada porque queria que ele estivesse dentro de casa, talvez nada disto teria acontecido, mas o que poderia eu fazer?