Não sei ao certo o que quero com este post... Se é desabafar, ouvir conselhos, levar na cabeça, ouvir histórias parecidas, ou o que quer que seja.
Não vou ser específica e vou alterar certos detalhes porque tenho medo de represálias.
Fase 1 estágio:
Eu trabalho mais ou menos há dois anos numa empresa em regime 100% remoto. Comecei no fim da minha licenciatura com um estágio profissional. Logo de início prometeram-me um bônus de 2000 euros que ficou na promessa de contrato, mas no contrato de estágio já não aparecia o valor e estava como discricionário. Passados uns meses fui perguntando pelo tal bônus, foram empurrando com a barriga e acabaram por enviar um mail a dizer que já não iam dar bônus nenhum a ninguém da empresa assinado "equipa de Gestão de Pessoas", equipa esta que não existe...
Fase 2 acaba o estágio continuo na empresa mas sem contrato:
Passados mais uns meses perguntei se pensavam em me contratar depois do estágio, tal como disseram que seria durante o recrutamento... Surprise, a conversa de repente mudou. Chegando ao final do estágio disseram que não me iam passar a efetivo, mas que podia ficar como freelancer. Eu burra fiquei... Fiquei a receber menos em termos líquidos do que se mantivesse a mesma remuneração e passasse a contrato. Como entretanto tinha começado num mestrado e estava no segundo ano da tese, achei que o trabalho remoto compensaria o ordenado baixo na minha situação específica. Conclusão, a tese ainda está por fazer, odeio o meu trabalho.
Fase 3 finalmente passou a contrato:
Depois de muito pedir, finalmente passei a contrato. De início ainda me queriam meter a contrato a termo, mas penso que ganharam vergonha, e acabaram por me dar um contrato sem termo. A ganhar o ordenado mínimo. Outra vez eu burra aceitei... Havia a promessa que haveria uma revisão salarial muito próxima e que achavam que era inaceitável pagar estes valores a alguém com as minhas qualificações e com o bom trabalho que faço. Passado um ano, nunca falaram em aumentos.
Estudei, fiz certificações muito especializadas já na empresa, sempre dei o meu melhor e disse que sim a tudo. Antes eu até trabalhava fora do horário por iniciativa própria, entretanto ganhei juízo e recuso-me a fazer isso. Resultado... atualmente ganho menos do que quando acabei o meu estágio do IEFP e provavelmente menos do que pessoas com o 9 ano. Fui burro, é merecido.
Fase 4 quiet firing/quiet quitting:
Já há meses que os meus superiores não contactam comigo com qualquer regularidade. Têm reuniões comigo que cancelam ou vão adiando indeterminadamente. Não tenho tarefas, nem objetivos, nem responsabilidades claras. Mas ao mesmo tempo, se falha alguma coisa em termos administrativos ou de gestão na empresa, que nada tem a ver com a minha "função oficial", caem em cima de mim. De vez em quando decidem aparecer do nada, com uma atitude extremamente passivo-agressiva e apertar comigo.
Eu odeio sentir-me inútil, por isso estou sempre a arranjar tarefas e a tentar resolver alguns problemas. Faço tanto trabalho que não é a minha função. Agora não me dar visibilidade sobre a maioria das decisões de gestão e depois ficar surpreendidos quando algo relacionado com isso dá para o torto...
Eu juro que não sei o que é que o meu superior faz, acho mesmo que ele está noutro planeta e de vez em quando vem fazer o papel. Nunca me ensinou nada, nem enquato eu estava a estagiar. Foi quase dizer-me tens estas ferramentas, agora faz acontecer. Tudo o que aprendi foi sozinha e obviamente sei menos do que se tivesse uma boa formação inicial ou algum tipo de mentor.
O meu trabalho atualmente envolve a minha função oficial e fazer tudo o que é função na empresa de gestão ou administrativa. Devia ter percebido que quando acabei o estágio e despediram a outra pessoa que tinha essas tarefas que ia ser eu a fazer o trabalho de duas pessoas, hoje parece que faço o de três.
Conclusão de quem foi Jovem e Dinâmica:
- O ano passado num dia gerei dinheiro suficiente para a empresa me pagar durante 3 anos.
- Não entreguei a tese ainda porque só me apetece desaparecer e derreter no final do dia de trabalho.
- Não tenho experiência real numa função específica porque há anos que sou uma faz tudo.
- Recebo muito mal.
- Há dois anos a enviar CVs, mais de 20 processos de recrutamento que passaram da primeira entrevista e nunca deram em nada. Porque ninguém quer um faz tudo e as coisas que faço para a minha empresa só fazem sentido na realidade da minha empresa.
- Não adquiri competências que sejam valorizadas num trabalho futuro.
- Odeio o meu trabalho e dia à dia.
Coisas boas:
- Alguma poupança.
- Família que me apoia e tem condições para me sustentar caso seja necessário.
- Companheiro que também me apoia e tem capacidade financeira de nos suportar bem à vontade (está sempre a dizer para me despedir, mas sinto que seria injusto para ele).
Será boa ideia me despedir, acabar a minha tese e procurar algo que me deixe mais feliz? Em termos financeiros qualquer coisa seria melhor.
Sinceramente já disse isto ao meu companheiro: "A melhor coisa que me podia acontecer era despedirem-me." O mais triste é que começo mesmo a acreditar nisto.