r/PastaPortuguesa 14h ago

Lungo-Spaghettoni Tive que ir fazer um turno a um bar de p****

186 Upvotes

Conheço um tipo chamado Esteves Mendes. Este gajo está sempre a arranjar-me biscates. Pinturas, mudanças, um evento aqui, um bar ali. Nunca me diz que não a trabalho e eu nunca digo que não a dinheiro fácil.

Um dia liga-me: "Ó maninho, precisava de ti para um bar. É mesmo a tua cara". Digo que sim sem pensar duas vezes, porque é o Esteves Mendes, e o Esteves Mendes sempre foi correto comigo. 

Nos dias seguintes vai-me deixando cair detalhes, um a um, como quem não quer a coisa. "Ah, o consumo mínimo vai ser 50 euros." Top, deve ser um sítio chique. "Ah, e vai ser só gajas lá dentro." Ok, "ladies night" é uma estratégia, né?

No dia antes do primeiro turno, o Esteves Mendes diz-me para ir lá. Vai-me fazer a "introdução ao espaço". Ele abre a porta e a primeira coisa que vejo são sofás, cadeiras e quatro palcos.

Com varão.

Ficou tudo claro como um aeroporto. Quero ir-me embora. Mas já disse que sim, já falei com a família toda sobre o "trabalho novo", e sinto aquela vergonha específica de recuar de uma coisa que já anunciaste. Decido ficar o turno porque me estão a pagar 10 euros à hora - algo que eu achava bom - e eu preciso do guito. 

O Esteves Mendes apresenta-me ao resto da equipa como se estivesse a apresentar um estagiário de contabilidade. "Este é o puto que vos falei, vai estar no balcão." As mulheres cumprimentam-me com uma tranquilidade que me deixa mais desconfortável do que se estivessem estranhas. 

Antes de me pôr atrás do balcão, o Esteves Mendes faz-me o onboarding corporativo. Explica-me os preços como se estivesse a apresentar um menu de pastelaria: um copo de sumo ou água, servido como bebida "delas", é 15 euros. Um copo com álcool a sério sobe para 25 ou 30. Garrafas de whisky ou champanhe, 200 para cima. Nenhum preço está anunciado portanto tenho que anotar no telemóvel e ir lá ver.

"Os copos delas são nove partes água ou sumo, uma parte álcool" diz ele, como quem explica uma receita de família. Percebo ali, com um misto de horror e admiração técnica, que uma parte do meu trabalho vai ser literalmente fabricar bebidas falsas para mulheres continuarem sóbrias uma noite inteira enquanto cobram a clientes que pensam estar a pagar álcool a sério. Não ensinam isto no curso a um gajo.

A noite decorre e eu observo tudo. Antes de mais, quero deixar aqui um elogio à equipa feminina. As mulheres trabalham com uma disciplina que eu nunca tinha associado a uma noite de copos: abordam o cliente, sentam-se, conversam dez ou quinze minutos, sugerem a primeira bebida. Se o cliente não quer pagar mais, despedem-se com um sorriso e vão para a mesa seguinte, sem drama, sem mágoa, como quem fecha uma reunião e passa à próxima da agenda. Elas são estratégicas, socialmente influentes e capazes de fazer com que qualquer coisa aconteça dentro daquelas paredes. Seriam políticas de sonho.

Às vezes um cliente pede um "privado" a uma das mulheres, e é aí que entra um armário de dois metros a quem todos tratam por Bino. A frase de Descartes "penso logo existo" coloca o Bino na categoria de não existente, porque ele nunca pensou. A função do Bino é contar o tempo, e ele é obcecado com o seu relógio."garantoqueostrintaminutossãotrintaminutosnemmaisumnemmenosumsenãoapanho-osefodo-lhesofocinho". Fala com tanta rapidez como orgulho. 

O Esteves Mendes aparece atrás do balcão a meio da noite, dá-me uma palmada nas costas e diz "então, estás a gostar?" com um entusiasmo genuíno. E é assim: a noite não estava a correr mal. Acho que não cometi crime algum. Mas percebo ali, com uma clareza total, que para o Esteves Mendes é só um bar com mais varões e mais água disfarçada de whisky. E isso está-me a deixar desconfortável.

Fecho o balcão às tantas da manhã, conto a caixa, e o Esteves Mendes paga-me ali mesmo. Dá-me 300 paus  - 4x o valor combinado. Ele diz que podemos trabalhar a recibos, tudo certinho, e que conta comigo nos próximos dias. Estou meio abesbílico. "E olha, deixaram-te uma nota de 100 como gorjeta." 

Eu vou para casa com 400 paus na mão - o que eu fazia em quase 2 semanas de trabalho. O dinheiro realmente muda as perspetivas porque agora estou a pensar que realmente isto da prostituição é uma injustiça para as mulheres e deviam legalizar isto tudo. 

Chego a casa e meto o guito num frasco para pagar contas. Fico a pensar num sonho que eu e a minha mulher temos: comprar uma casinha a 200km daqui. Deito-me na cama. Acordo de manhã com a mulher a perguntar-me como é que estavam 400 paus na entrada. Conto-lhe tudo. 

A minha mulher está a olhar para mim como uma grande-mestre de xadrez para aproveitar o máximo esta jogada financeira. Eu disse-lhe que não sabia se isto era moralmente correto e ela diz "que se foda o moralmente, caralho, vamos comprar uma casa". Sentido o tremendo apoio da minha mulher, vou para o bar outra vez. 

Noite a seguir o Esteves Mendes pergunta-me se posso ficar até às 8 da manhã e que me paga a triplicar. A íris dos meus olhos transformou-se em símbolos de euros como os cartoons. Claro que fico, chefe.

Passa-se uma hora e entra lá o meu tio. 

Foi como um duelo do velho oeste. Não sabíamos quem ia disparar primeiro.  Eu estou tenso. Ele está tenso. Nenhum dos dois faz um movimento brusco. Ele aproxima-se lentamente. Está sentado ao balcão. "Se tu não disseres nada eu não digo" . Apertei-lhe a mão e perguntei-lhe o que queria. Ele diz-me que quer um Blue Curaçao com Coca-Cola - a bebida favorita da Jéssica, uma das melhores da casa. Topei a estratégia: ele pedia-me a bebida antes de ir ter com ela e dava-lhe a bebida com álcool, e só depois pedia outra. Apercebo-me que o meu tio sabe demasiado sobre o funcionamento deste bar. Meia hora depois está a ir para um dos palcos e a fechar a cortina. Estou a pensar no quão divertido vai ser o próximo almoço de família. 

No entanto, foi a única vez que senti este stress. Durante outras noites, foram passando lá outras pessoas conhecidas, mas o negócio foi sempre este: tu não contas, eu não conto. 

Passam-se algumas semanas e eu estou a ganhar uma média de 40 euros por hora. Cumprimento e trato por tu todos os putanheiros daqui da zona. Sou amigo de dealers, pessoal manhoso, pessoal que já esteve preso e não sei como me sentir quanto a isso. Estou a arranjar biscates fora do bar para outros serviços de pintura e jardinagem através de clientes. A vida está boa.

Uma noite, um cliente bêbado decide que eu, atrás do balcão, sou o responsável pelo facto de a mulher com quem estava a falar ter ido embora mais cedo. Começa a subir o tom, a apontar o dedo e eu já estava a preparar a conta do meu dentista. O Bino aparece do nada. Põe-se entre nós, todo ele parede cimentada com tijolo. "O rapaz só serve bebidas," diz, devagar, cada palavra bem separada da outra pela primeira vez desde que o conheço. O olhar do Bino estava-lhe a sugar a alma por todos os poros e quanto mais tempo ele ficasse, mais o Bino o possuía. O homem diz 3 ou 4 palavras e o Bino puxa-o por uma orelha para o fundo do bar, saca-lhe o dinheiro das bebidas, pede-me o troco e manda-o dali para fora. Volta para o seu posto, de olho no relógio, à espera do próximo cronómetro a começar. 

Nunca mais tive situação alguma de porrada ou conflito tão tenso como este. 

Um dia são 21h30 e estou a comer uma boa sopa. Só temos 3 pessoas lá no bar. Do nada, uma porta é aberta ao pontapé. Um estrilhaço enorme começa a acontecer nas salas de trás e está lá um monte de pessoas aos berros. 4 polícias aparecem à porta do bar e dizem que tem qualquer documento e autorização de qualquer coisa. Eu estava em pânico. 

O Esteves Mendes tenta o que qualquer homem numa posição destas tentaria: sair pela porta principal como quem só vai só fumar um cigarro lá fora. Não resulta. Um agente intercepta-o. O Esteves Mendes tenta explicar que "isto é só um bar normal, sr. agente" enquanto, atrás dele, duas mulheres saem a correr descalças pela sala principal. O Bino, por outro lado, decidiu fugir pelas traseiras. Correu, saltou uma grade baixa que separa o parque de trás do terreno vizinho, e ficou ali preso. A polícia só reparou nele 30 minutos depois. Fico a vê-lo agitar-se como se fosse um sapo de 2 metros virado do avesso. Quando o foram tentar ajudar, tentaram tirar-lhe o relógio. Ele deu um pontapé a um polícia. 

O Esteves Mendes foi acusado de lenocínio. Nenhuma das mulheres da casa foi acusada de algo. O Bino foi julgado apenas como homem estúpido. Mas eu enfrentei o julgamento social, porque a terrinha fala. 

Depois da rusga, muita gente me começou a procurar e a perguntar o que se tinha passado. Queriam todos saber a cusquice. Apercebi-me que toda a gente sabia que eu trabalhava lá. Dia após dia, tento arranjar um novo emprego mas a vida não me cai bem. Os meus amigos do bar deixaram de me arranjar biscates. Mas tinha poupado dinheiro e consegui comprar a tal casinha com a minha mulher. Fomos para uma terra nova. 

Na terrinha nova, procurei emprego num bar lá. Fui aceite. 

Na apresentação, o gerente diz-me que o bar "está sempre cheio de mulheres". Eu levantei-me e fui embora.


r/PastaPortuguesa 5h ago

Skibidiramago

21 Upvotes

Pah eu hoje acordei, deviam ser umas six-seven e estava bué Cozy, no Chill, na cama com os meus lençóis de linho, apesar de estar Forever Alone.

Levantei, e vi que era hora de ir Farmar Aura, desfiz a barba com a minha espuma de barbear com Prota, mas dei um golpe, Skill Issue, ganda Epic Fail, fiz a Jawline e identifiquei o corte. Procedi com um pouco de Mewing para estancar o sangue. E um Rage Bait no X a gilete.

Problema resolvido, siga lavar os dentes, escovar e Hawk Tuah spit on that thang, pra cuspir a espuma da boca.

Reparei que a Gangnam Style já tocava na minha Alexa então ya, já estava atrasado I Am Cooked.

Fui pegar algo pra comer no frigorífico mas só tinha ovo cozido. Fanum Tax? LOL. Acabei por beber uma Sagres. Mid.

Sai porta fora com Positive Aura, mas logo dou de caras com o dia chuvoso. What a Sigma? Fiquei ali um pouco em Manequin Challenge a pensar se ia espalhar o meu Rizz na rua ou não. Vejo a malta ali a passar com os guarda chuvas feitos NPC, então dei Lock In decido sair apenas com a minha parka amarela tipo série Dark, tava mêmo Based.

Chego ali na padaria pra comprar iqos, aquela com a vitrine mesmo Sus em frente ao meu Studio, decido levar uma nata com Chocolate de Dubai porque, YOLO. Paguei com Mway. Tava um cota ao lado a comer bolo de arroz e ia pagar com Cash, mandou a piada que eu não tinha pago porque não dei nota, só mostrei o telemóvel a empregada que tem um rabo mêmo GYATTT! Então disse ao cota, Ok Boomer. O gajo parecia mêmo Ohio Final Boss mas caguei.

Sai e lá estava o meu Broski Hugo, ele é Certified Yapper mas De Boas. Minha nata já estava meio Fell Off.

O Hugo disse que tínhamos ali uma Side Quest, queria ir mandar CV ao Pingo Doce para arranjar um Bules. Standing on Business, tinha dito no dia anterior ao meu Bro que ia com ele. Entretanto o Simão passou na sua trotinete Xiaomi, já não via este Dude faz tempo! 420 Blaze It! We are so back! Lá fomos ao Pingo Doce, passamos pela loja de porcelanas, bem Cursed.

Entretanto vimos o ganda Lambo a passar. Um mano da Crypto todo Hi Tech conhecido aqui no nosso Hood. Touch some Grass, King.

Lá chegamos ao Pingo, tava uma Cota a comprar um saco plástico pra levar Quinoa. In this Economy?

O Mano Hugo foi falar com o Final Boss do Pingo Doce, Unc falou em 950 de salário. Deve tar delulu. Só pode ser Cap trabalhar um mês e não dar pra comprar cinto LV.

Final Boss do Pingo não passou a Vibe Check, Hugo esperava mais. POV: Final Boss do Pingo doce saca 3 Pau!

Entretanto o Simão estava bem Lowkey a dar W-Rizz a Zuca que estava a trabalhar, ela tinha ganda Drip. Bem Pausada. O Simão estava a falar de como carregava a sua trotineta com MagSafe. A Dama estava a curtir, nosso tropa Simão MagSafe Final Boss do Rizz, W! Fr fr!

Bazamos, Hugo queria Bulir mas o cérebro dele estava a dar Packet Loss.

Então sugeri irmos ao Mercadona amanhã porque Mercadona agora é Meta.

Vamos ver como corre.